segunda-feira, 19 de julho de 2010

A insustentável leveza do ser: Massimo Troisi


Massimo Troisi nasceu em 1953, na pequena San Giorgio a Cremano, localizada a 4 km de Nápoles.

Em 1977, passou a fazer parte de um trio cômico chamado "La Smorfia", que tornou-se famoso em toda a Itália.

Em 1985 atuou ao lado de Roberto Benigni em "Non ci resta che piangere". No filme, os personagens interpretados por Troisi e Benigni são transportados, por acaso, para o século XVI. Lá eles encontram com Leonardo da Vinci e, quando se dão conta da época em que estão, decidem ir até a Espanha para evitar que Cristóvão Colombo descubra a América.

Em 1994 foi protagonista, ao lado de Philip Noiret, de um clássico da história do cinema: O carteiro e o poeta (Il postino).

Pouco depois de ter encerrado as filmagens de O carteiro e o poeta, Troisi morreu em decorrência de um infarto. Tinha 41 anos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Eleições 2010: Odorico na cabeça!


Estão lançados os dados para as eleições 2010. Orientados pelos marqueteiros, os candidatos se adaptam ao paladar do eleitor de Pindorama. Sempre foi assim.

Jânio comia pão com mortadela e andava com o paletó cheio de caspa para ser visto como um homem comum.

Quércia pedia para tirar um cochilo na cama do eleitor, para criar intimidade.

FHC se dizia mulatinho.

Mas em matéria de marketing político, ninguém superou Odorico, O Bem Amado. Veja

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Indio do Demo quer apito no Arraial dos Tucanos


Desde pequeno ouço que o salário mínimo deveria valer pelo menos US$ 100, e que o brasileiro tem memória curta.

Sob Lula, o salário mínimo vale hoje cerca de US$ 280. Ainda baixo, mas uma belezura quando comparado ao seu valor nos desgovernos anteriores.

Agora, a tal memória do brasileiro parece que continua estagnada.

Quando Sarney sentou no trono sem que Tancredo tivesse sequer a chance de colocar a faixa presidencial, descobrimos - da pior forma possível -, que vice não é decorativo.

Presidentes adoecem. Presidentes enlouquecem. Presidentes morrem. E quem assume é o vice, sem ter recebido um único voto.

E não só presidentes. Serra se candidatou à prefeitura de São Paulo e declarou publicamente que não renunciaria ao mandato para concorrer ao governo. Renunciou, e deixou no seu lugar um inexpressivo afilhado político, sob o qual pairavam acusações de enriquecimento ilícito.

O circo político para as eleições 2010 começou a ser armado, e os principais partidos parecem apostar na falta de memória dos brasileiros, que demonstram ter esquecido dos cinco anos sob Sarney, das patuscadas e pantomimas de Collor e do estelionato Serra-Kassab - entre outras aberrações da história recente.

Dilma de Lula terá como vice Michel Temer, figura de proa - ou nem tanto - do deplorável PMDB de Sarney. Serra do Kassab, depois de gastar o chão de tanto dar voltas em torno do rabo, "escolheu" como vice o deputado Indio do Demo - segundo dizem, por ser o único nas profundezas do Demo, sócio dos tucanos, a não ter a capivara muito longa.

Acho que agora a Regina Duarte tem motivo de sobra para temer o Temer da Dilma e o Indio do Serra e do Kassab. Até eu, que já entreguei a rapadura faz tempo, temo.

Quem vai ganhar o troféu abacaxi?


"MST não é movimento de reforma agrária, é ideológico", diz Serra.

"Mediocridade de candidatos é o que mais irrita", diz Calainho - jurado do programa Ídolos.

Os títulos acima foram colocados como chamada de capa no UOL. Estavam em seções diferentes, mas me parecem indissociáveis.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A insustentável leveza do ser - Péricles Maranhão


O desenhista Péricles Maranhão nasceu em 1924, no Recife.

Aos 17 anos foi para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar nos Diários Associados, então a maior rede de comunicação do país.

Em 1943, Péricles criou um dos personagens mais populares da história dos quadrinhos de Pindorama: o Amigo da Onça, publicado na revista O Cruzeiro.

O personagem foi desenhado por Péricles durante quase 20 anos, sendo um dos principais atrativos da revista.

Na noite de 31 de dezembro de 1961, Péricles se suicidou. Vedou todas as portas do apartamento e soltou o gás. Tinha 37 anos.

Deixou um bilhete no qual reclamava da solidão. No lado de fora da porta colou outro, síntese do humor irônico de seu personagem mais popular:
Não risquem fósforos!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Retrato de uma era


O período em que Dunga defendeu a seleção brasileira de futebol como jogador ficou conhecido como "a era Dunga". Tendo Dunga como símbolo, a seleção conquistou a Copa de 1994 apresentando um futebol feio e burocrático. Era o chamado futebol de resultados, defendido ferrenhamente por outro Dunga, o treinador Carlos Alberto Parreira.

A nomeação de Dunga como técnico da esquadra canarinho demonstrou que a "era Dunga" tem um significado e uma abrangência muito maior do que se poderia supor. O ex-jogador chegou ao comando de uma das principais seleções de futebol do mundo sem nunca ter treinado qualquer outra equipe. No chamado "país do futebol", vários técnicos experientes foram preteridos em favor do iniciante.

E o que credenciou Dunga para o cargo? O que credencia qualquer liderança no universo corporativo. Profissional mediano - como jogador e como técnico -, Dunga chegou ao topo apenas por oferecer fidelidade canina a quem o colocou no cargo - como fez Parreira desde os tempos da ditadura militar.

Com poder e prestígio, Dunga tornou-se o ícone da era que representa. A era da mediocridade, da falta de ética, da subserviência e da tolerância bovina.

Hoje há um Dunga em cada departamento, em cada repartição.
O importante é ganhar jogando feio. Afinal, o jogo já foi perdido há muito tempo.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Grandes malucos beleza: Leon Eliachar


"Nasci no Cairo, fui criado no Rio; sou, portanto, "cairoca". Tenho cabelos castanhos, cada vez menos castanhos e menos cabelos. Um metro e 71 de altura, 64 de peso, 84 de tórax (respirando, 91), 70 de cintura e 6,5 de barriga.

Em 1492, Colombo descobriu a América; em 1922, a América me descobriu. Sou brasileiro desde que cheguei (aos 10 meses de idade), mas oficialmente, há uns dois anos; passei 35 anos tratando da naturalização. Minha carreira de criança começou quando quebrei a cabeça, aos dois anos de idade; minha carreira de adulto, quando comecei a fazer humorismo (passei a quebrar a cabeça diariamente). Tive vários empregos: ajudante de balcão, ajudante de escritório, ajudante de diretor de cinema, ajudante de diretor de revista, ajudante de diretor de jornal. Um dia resolvi ajudar a mim mesmo sem a humilhação de ingressar na Política: comecei a fazer gracinhas — fora da Câmara. Nunca me dei melhor. Meu maior sonho é ter uma casa de campo com piscina, um iate, um apartamento duplex, um corpo de secretárias, um helicóptero, uma conta no banco, uma praia particular e um "short". Por enquanto já tenho o "short".

Sou a favor do divórcio, a favor do desquite e a favor do casamento. Sem ser a favor deste último não poderia ser dos primeiros. Sou contra o jogo, o roubo, a corrupção e o golpe; se eu fosse candidato isso não deixaria de ser um grande golpe.

O que mais adoro: escrever cartas. O que mais detesto: pô-las no Correio. Minha cor preferida é a morena, algumas vezes a loura. Meu prato predileto é o prato fundo. O que mais aprecio nos homens: suas mulheres — e nas mulheres, as próprias. Acho a pena de morte uma pena.

Não sou superticioso, mas por via das dúvidas, evito o "s" depois do "r" nessa palavra. Se não fosse o que sou, gostaria de ser humorista. Trabalho 20 horas por dia, mas, felizmente, só uma vez por semana; nos outros dias, passo o tempo recusando propostas — inclusive de casamento. Acho que a mulher ideal é a que gosta da gente como a gente gostaria que ela gostasse — isso se a gente gostasse dela. Para a mulher, o homem ideal é o que quer casar. Mas deixa de ser ideal logo depois do casamento, quando o ideal seria que não deixasse. Mas isso não impede que eu seja, algum dia, um homem ideal."

Fonte: “O Homem ao Quadrado”, Livraria Francisco Alves/Editora Paulo de Azevedo Ltda., Rio de Janeiro, 1960.

Leon Eliachar foi assassinado na cidade do Rio de Janeiro, em 29 de maio de 1987. Segundo o noticiário da época, a mando de um rico fazendeiro paranaense com cuja esposa o autor vinha mantendo um romance.

Releituras.com

Neander


Um homem admirável


Saramago foi um escritor brilhante, mas sobretudo um homem admirável. Foi coerente durante toda a vida. Manteve sempre acesa a chama da utopia e colocou seu prestígio - e suas ideias - a serviço das causas mais importantes.

Fará muita falta.

Pensar, pensar
José Saramago

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

"O mundo ficou mais burro e cego". Fernando Meireles, sobre a morte de Saramago.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Welton

Em 1998, após uma temporada no Japão, trabalhava em uma assessoria de imprensa e era responsável, entre outros clientes, por uma ong de defesa do consumidor.
Além de oferecer boas pautas aos colegas do outro lado do balcão, o bom assessor deve ter sempre no bolso do colete bons personagens para ter mais chances de emplacar na mídia.

Nem sempre é fácil. E o pior é quando a pauta parte de lá para cá. Já recebi pedidos de personagens tão elaborados que poderiam fazer parte de um romance de Garcia Marquez.

Não foi o que aconteceu naquela tarde de sábado, quando almoçava na casa dos meus sogros. O programa Mais Você, de Ana Maria Braga, havia estreado há poucas semanas e a produtora, que tinha recebido um release meu sobre direitos dos usuários de planos de saúde, resolveu inventar uma pauta mais, digamos, divertida. A moça queria falar sobre cidadãos que sempre reivindicavam seus direitos, independentemente do valor em questão.

Tranquilo, pensei. Na segunda faço um pente fino no meu banco de personagens e encontro alguém. Quando comentei sobre a solicitação com a Isa, minha companheira na época, ela disparou:
- Pô, porque você não coloca o meu pai?!! Ele é exatamente assim.
Welton, meu sogro, era um tremendo boa praça e topou na hora. A entrevista foi gravada na casa dele pelo então repórter Evaristo Costa, hoje apresentador do Jornal Hoje.

Não acompanhei a gravação, mas no final Welton me ligou dizendo que a entrevista havia sido longa, e que tinha ficado ótima.

A matéria foi ao ar alguns dias depois e, em pouco tempo, veio a primeira surpresa. Welton, um mineiro-carioca que vivia em São Paulo há muitos anos, recebeu telefonemas de vários parentes que não via há muito tempo. Os colegas de trabalho comentaram. Meu sogro adorou, mas fez um reparo:
- Eles erraram o meu nome, porra. Colocaram Elton!

Além de ilustrar uma reportagem sobre pessoas que reclamam de tudo, Welton era advogado e não podia deixar de pedir uma retificação. Foi o que fez. Ligou para a produção do programa e comunicou o erro.

No dia seguinte, veio a segunda surpresa. A loira abriu o programa com a imagem do Welton congelada na tela.
- Vocês lembram daquele Sr. da matéria de ontem, que reclama de tudo? Pois é, ele reclamou de novo porque nós erramos o nome dele. Desculpa, seu Welton!
Todos os parentes que não haviam telefonado para o Welton no dia anterior o fizeram naquele dia – a audiência da Globo é inacreditável. Meu sogro ficou muito feliz. E eu também.

Algum tempo depois eu e a Isa nos separemos. Ontem, depois de alguns anos sem notícias dela, soube que Welton morreu em 2008. Desde então, tenho pensado muito nele, e em alguns momentos bacanas que vivemos juntos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Boa Música Brasileira: Chicas



Gonzaguinha viajou antes do combinado, mas seu talento tem se mostrado hereditário. Além do filho Daniel, o cantor ofereceu à MPB duas filhas talentosas: Fernanda Gonzaga e Amora Pêra, que fazem parte do grupo Chicas.

O repertório das Chicas inclui músicas de Gonzaguinha e de outras feras, como Arnaldo Antunes, Lenine e Gil. As moças também interpretam composições próprias.

Aperitivos:
Baião de rua
Geraldinos e Arquibaldos
Me deixa
Espumas ao vento
Namorar

A insustentável leveza do ser - Monteiro Lobato



Monteiro Lobato é conhecido por sua mais genial criação, o Sítio do Picapau Amarelo, que encanta crianças e adultos há várias gerações. Mas além de grande mestre da literatura infantil, Lobato foi um dos maiores "malucos beleza" de Pindorama.

Nasceu José Renato, em 18 de abril de 1882. Porém, por conta das iniciais J.B.M.L. gravada em uma bengala do pai, mudou seu nome para José Bento.

Formou-se em direito e chegou a ser promotor, mas em 1911 herdou a fazenda do avô e tornou-se fazendeiro. As geadas e a falta de mão-de-obra qualificada - escreveu Jeca Tatu neste período - o levaram a vender a propriedade.

Montou uma editora e revolucionou o mercado editorial do país. Escreveu Urupês, O presidente negro e O escândalo do petróleo, entre outras obras voltadas ao público adulto.

Em 1927 foi nomeado adido comercial nos Estados Unidos. Voltou de lá disposto a explorar ferro e petróleo - quase faliu - e montar uma fábrica de chicletes - novidade que o encantou.

Foi preso por criticar o "militarismo federal" do governo Vargas.

Defendeu a reforma agrária.


No dia 21 de abril de 1948 Monteiro Lobato sofreu um espasmo vascular cerebral. Permaneceu em coma durante duas horas e meia, até que recobrou a consciência. De acordo com seu médico, Antônio Branco Lefèvre, do episódio "não resultou qualquer paralisia ou distúrbio de consciência, apenas uma agrafia bastante nítida".
As letras se transformaram em traços sem qualquer sentido simbólico. Lobato não conseguia ler ou escrever uma palavra sequer.


Monteiro Lobato faleceu dois meses e meio depois, no dia 4 de julho. De acordo com seu médico,que já o encontrou sem vida, o escritor tinha uma "uma estranha expressão de serenidade na face".

Ótima biografia sobre Lobato: Furacão na Botocúndia

Última entrevista concedida por Lobato

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"O Abraço Corporativo" retrata a imprensa na era da ejaculação precoce


Estréia na próxima sexta, 18/06, o documentário “O Abraço Corporativo”, do jornalista Ricardo Kauffman. O filme acompanha a trajetória real de um consultor de RH fictício, chamado Ary Itnem, em busca de divulgação da Teoria do Abraço. Tal Teoria é a solução para uma doença enfrentada pelas empresas chamada inércia do afastamento – um mal causado pelo uso excessivo das novas tecnologias.

O filme mostra o personagem – encarnado pelo ator Leonardo Camillo – e sua teoria também inventada em contato com emissoras de TV, rádio, jornais, revistas e portais da Internet.

Ary virou hit na web quando foi à avenida Paulista pedir abraços grátis. Seu vídeo alcançou a marca de 650 mil views e foi parar na home page de grandes portais.

“O documentário mostra e discute um dilema do jornalismo da era pré-digital em todo o mundo: o que fazer com tanto espaço para informação e capacidade técnica para publicar notícias assim que acontecem ou se anunciam”, diz Kauffman.

“O Abraço Corporativo” mistura a trajetória de Ary com depoimentos diversos sobre como se faz notícia hoje. Juca Kfouri, Eugênio Bucci, Contardo Calligaris, Bob Fernandes e o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo são alguns dos entrevistados.


Veja o trailer

Aliança Lula-Sarney é abominável


O feitiço de Sarney

Por leandro Fortes

O Maranhão é o quarto secreto onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esconde, como Dorian Gray, uma resistente decrepitude moral de seu governo. Assim como o personagem da obra de Oscar Wilde, Lula se mantém jovial e brilhante para o Brasil e o mundo, cheio de uma alegria matinal tão típica dos vencedores, enquanto se degenera e se desmoraliza no retrato escondido do Maranhão, o mais pobre, miserável e desafortunado estado brasileiro. Na terra dominada por José Sarney, Lula, o anunciado líder mundial dos novos tempos, parece ser vítima do feitiço do atraso.

Dessa forma, em nome de uma aliança política seminal com o PMDB, muito anterior a esta que levou Michel Temer a ser candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, Lula entregou seis milhões de almas maranhenses a Sarney e sua abominável oligarquia, ali instalada há 45 anos. Uma história cujo resultado funesto é esta sublime humilhação pública do PT local, colocado de joelhos, por ordem da direção nacional do partido, ante a candidatura de Roseana Sarney ao governo do estado, depois ter decidido apoiar o deputado Flávio Dino, do PCdoB, durante uma convenção estadual partidária legal e legítima, por meio de votação aberta e democrática.

Esse Lula genial, astuto e generoso, capaz de, ao mesmo tempo, comandar a travessia nacional para o desenvolvimento e atravessar o mundo para evitar uma guerra nuclear no Irã, não existe no Maranhão. Lá, Lula é uma sombra dos Sarney, mais um de seus empregados mantidos pelo erário, cuja permissão para entrar ou sair se dá nos mesmos termos aplicados à criadagem das mansões do clã em São Luís e na ilha de Curupu – isso mesmo, uma ilha inteira que pertence a eles, como de resto, tudo o mais no Maranhão.

Lula, o mais poderoso presidente da República desde Getúlio Vargas, foi impedido sistematicamente de ir ao estado no curto período em que a família Sarney esteve fora do poder, no final do mandato de Reinaldo Tavares (quando este se tornou adversário de José Sarney) e nos primeiros anos de mandato de Jackson Lago, providencialmente cassado pelo TSE, em 2009, para que Roseana Sarney reocupasse o trono no Palácio dos Leões. Só então, coberto de vergonha, Lula pôde aterrissar no estado e se deixar ver pelo povo, ainda escravizado, do Maranhão. Uma visita rápida e desconfortável ao retrato onde, ao contrário de seu reflexo mundo afora, ele se vê um homem grotesco, coberto de pústulas morais – amigo dos Sarney, enfim. Logo ele, Lula, cujo governo, a história e as intenções são a antítese das corruptas oligarquias políticas nacionais.

Lula, apesar de tudo, caminha para o fim de seus mandatos sem ter percebido a dimensão da imensa nódoa que será José Sarney, essa figura sinistramente malévola, no seu currículo, na sua vida. Toda vez que se voltar para o mapa do país que tanto vai lhe dever, haverá de sentir um desgosto profundo ao vislumbrar a mancha difusa do Maranhão, um naco de terra esquecido de onde, nos últimos 20 anos, milhares de cidadãos migraram para outros estados, fugitivos da fome, do desemprego, da escravidão, da falta de terra, de dignidade e de esperança. Fugitivos dos Sarney, de suas perseguições mesquinhas, de sua megalomania financiada pelos cofres públicos e de seu cruel aparelhamento policial e judiciário, fonte inesgotável de repressão e arbitrariedades.

Contra tudo isso, o deputado Domingos Dutra, um dos fundadores do PT maranhense, entrou em greve de fome no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. Seria só mais um maranhense a ser jogado na fome por culpa da família Sarney, não fosse a grandeza que está por trás do gesto. Dutra, filho de lavradores pobres do Maranhão, criou-se politicamente na luta permanente contra José Sarney e seus apaniguados. Em três décadas de pau puro, enfrentou a fúria do clã e por ele foi perseguido implacavelmente, como todos da oposição maranhense, sem entregar os pontos nem fazer concessões ao grupo político diretamente responsável pela miséria de um povo inteiro. Dutra só não esperava, nessa quadra da vida, aos 54 anos de idade, ter que lutar contra o PT.

Assim, Lula pode até se esquivar de olhar para o retrato decrépito escondido no quarto secreto do Maranhão, mas em algum momento terá que enfrentar o desmazelo da figura serena e esquálida do deputado Domingos Dutra a lembrá-lo, bem ali, no Congresso Nacional, que a glória de um homem público depende, basicamente, de seus pequenos atos de coragem.

Comentário: o texto é um alento.
Desde que Lula se tornou presidente, boa parte daqueles que, como eu, militou durante anos na esperança de que o PT pudesse oferecer uma alternativa à política indecente que imperava no país passou a reagir agressivamente a qualquer tipo de crítica dirigida ao sacrossanto Lula.

Os avanços obtidos nos últimos anos são inegáveis. Mas tais avanços não podem ser justificados por meio de aberrações como o toma-lá-dá-cá com Sarneys, Renans, Jucás e outros tantos.

O "jeito de fazer política" do PT tornou-se insalubre como o dos demais. Os pragmáticos insistem que não há outro jeito. Se não houver, que não se faça. Pragmatismo demais é sinônimo de canalhice.

Criadora e criatura: "bispa" Sonia e "bispa" Kaká



A ignorância e a desesperança são um campo fértil para embusteiros de todas as espécies. Representantes do Todo Poderoso e gurus da autoajuda nadam de braçada, e constroem impérios com uma velocidade espantosa.

Considerando as, digamos, necessidades espirituais do homem contemporâneo, um jovem casal promete monopolizar as atenções dos fiéis nos próximos anos: o jogador Kaká e sua esposa, a "bispa" Caroline Celico.

O casal tem como madrinha espiritual da exótica "bispa" Sonia Hernandez, que juntamente com seu marido, também "bispo", passou uma temporada em cana nos Estados Unidos após ser flagrada com uma dinheirama dentro da bíblia - em nome de Jesus, aleluia.

Kaká já declarou que se tornará "pastor" assim que deixar os gramados. Caroline - na foto acima em companhia da madrinha - demonstra, no olhar, ter a obstinação necessária para mover montanhas e andar sobre as águas.

Kaká é um dos jogadores mais bem pagos do mundo. Caroline nasceu em berço explêndido. Nenhum dos dois precisaria da grana das sacolinhas para viver.

Como cético, tenho que admitir que há mais mistérios do que pode supor a nossa vã filosofia.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A insustentável leveza do ser - Castro Alves


Autor de "Espumas Flutuantes" e "O Navio Negreiro", entre outros, escritor Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em 1847 na cidade de Curralinho, Bahia.

Dedicou sua obra ao combate à escravidão.

Aos 16 anos, ingressou na faculdade de direito em Recife.

Ainda com 16 anos, contraiu tuberculose.

Aos 20 anos apaixonou-se pela atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha, de quem tornou-se amante.

De passagem pelo Rio de Janeiro com Eugênia, conheceu Machado de Assis e José de Alencar, que o introduziram nos meios literários.

Em 1868, durante uma caçada, dispara contra o próprio pé, que precisa ser amputado.

Mutilado e abandonado por Eugênia, morreu aos 24 anos devido ao agravamento da tuberculose.

As prioridades do prefeito do Demo


Gilberto do Demo gosta de pesquisas. Quando herdou a cadeira de Serra - que jurou que não renunciaria ao mandato para concorrer ao governo, mas mijou para trás -, Gilberto do Demo foi informado sobre o número de paulistanos vivendo em favelas: na época, quase 2 milhões. O prefeito da maior cidade do país descobriu que, no seu reino, 1 em cada 6 súditos vivia em barracos.

Que medidas Gilberto do Demo tomou? Criou o programa Cidade Limpa, promovendo a retirada das placas que enfeiavam a Desvairada.

Há alguns dias o prefeito do Demo divulgou novos números. Mais de 13 mil paulistanos têm as ruas como lar. Associações juram que são mais de 18 mil.
Além de viverem na total indigência, muitas dessas pessoas são reféns do crack. Tornaram-se verdadeiros zumbis, sobretudo na região central da capital.

Certamente comovido com a degradação do centro do seu reino, Gilberto do Demo acaba de anunciar novas medidas: investirá R$ 1,32 mi na limpeza e pintura dos 92 pilares que sustentam o minhocão - que ele já disse querer derrubar. Os pilares receberão tinta antipichação.

Talvez o prefeito do Demo queira oferecer um ambiente melhor para os moradores de rua. Ou será que Gilberto do Demo imagina que, com o minhocão arrumadinho, os desabrigados se sentirão deslocados e partirão em busca de outros refúgios menos visíveis?