domingo, 28 de fevereiro de 2010

DVD: Loki - Arnaldo Baptista

As pessoas podem ou não sobreviver. A mágoa, dura para sempre.
A maior delas talvez seja não entender porque as pessoas não te entendem.



A cinebiografia de Arnaldo Baptista, fundador dos Mutantes, tem sua narrativa costurada por depoimentos emocionantes do artista, que durante as gravações pinta um quadro emblemático. Embalado por músicas que marcaram época, o filme revela a trajetória de um dos maiores nomes do rock brasileiro.



Trailer do filme

Porviroscópio: "1" cancela anúncios

2029- Pequim
Após comprar o Google,a Microsoft e a Coca Cola, tornando-se a detentora de todas as corporações do mundo, a "1" anunciou a suspensão da publicidade em todos os meios de comunicação.
"Como somos proprietários de todas as empresas, não precisaremos mais de anúncios", disse John Aron Tsung, presidente da "1".

Miriam Leitão não foi encontrada para comentar a notícia.

Singela homenagem a um dos mais fascinantes visionários de Pindorama.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

100 anos de Adoniran



Adoniran, que completaria 100 anos em 2010, por Baptistão.

Adoniran e Elis - 1978

Invictus resgata as utopias



Três motivos para assistir:

- Nelson Mandela é seguramente um dos mais impressionantes personagens contemporâneos. Sua saga contra a segregação racial na África do Sul nos leva a pensar que as utopias ainda têm lugar no mundo dos vencedores.

- Clint Eastwood conseguiu levar às telas um filme tocante, sem truques e afetações - e talvez por isso venha sendo chamado de piegas pela crítica empedernida.

- Não é possível imaginar outro ator no papel de Mandela. Morgan Freeman está impecável.

CRÍTICA DE NEUSA BARBOSA, DO CINEWEB

Quando lançou a autobiografia "Longo Caminho para a Liberdade", nos anos 1990, o líder sul-africano Nelson Mandela foi questionado sobre quem gostaria de ver fazendo o seu papel no cinema. A resposta foi rápida: "Morgan Freeman". Quase 20 anos depois, esse desejo foi atendido.



Tanto Freeman quanto Eastwood pensaram, a princípio, em adaptar a própria autobiografia do líder para o cinema. Mas deram-se conta de que o extenso material renderia um filme ou minissérie de muitas horas.

Eastwood encontrou então o livro "Playing the Enemy", de John Carlin, que focaliza um momento particular na conciliação da África do Sul pós-apartheid: a realização da Copa Mundial de Rúgbi, que o país venceu, contra todos os prognósticos. A vitória serviu como elemento de união nacional.

Em fevereiro de 1990, Mandela (Freeman) acabara de sair da prisão, depois de 27 anos. Quatro anos depois, foi eleito o primeiro presidente negro da história de um país onde, por décadas, a maioria negra não tinha quaisquer direitos políticos, sociais e econômicos. Por conta disso, há uma enorme tensão na África do Sul. Do lado dos negros, devido à ânsia de ocupar seu espaço e, em alguns setores, de buscar vingança. Do lado dos brancos, ainda a elite econômica e cultural da nação, medo e desconfiança, quando não alguma tentativa de boicote ao novo governo.


Mostrando sabedoria política exemplar, Mandela sabe que terá de satisfazer aos dois lados e conquistá-los. Uma oportunidade se apresenta com a Copa Mundial de Rúgbi. Esporte branco por excelência, o rúgbi é desprezado pela maioria negra, que torce ostensivamente por todo e qualquer adversário do time nacional nas competições. Para piorar, a seleção nacional também não apresenta um desempenho dos melhores.

O presidente Mandela enxerga aí uma chance única. Assim, abre uma vaga na sua apertadíssima agenda para receber o capitão do time de rúgbi, François Pienaar (Matt Damon, de "O Desinformante"), o primeiro que ele ganha para a grande causa de vencer a Copa Mundial - uma tarefa que, neste momento, parece simplesmente impossível.

A atitude do presidente confunde não só Pienaar, prestigiado membro da elite branca, como seus próprios colaboradores negros. Nenhum dos lados entende o alcance deste esforço. Alguns consideram simplesmente ridículo que o presidente se ocupe de um assunto esportivo num momento em que o país se debate com um dramático déficit de investimentos, além da precariedade da infraestrutura, dos transportes, da saúde e da educação.

A inteligência cinematográfica de Eastwood, um diretor que vive uma maturidade criativa excepcional, às vésperas de completar 80 anos (em maio), torna atraente todo este esforço, mesmo para plateias que desconheçam o rúgbi e a política sul-africana. Quando se apresentam os jogos, o filme enfatiza o seu aspecto de disputa de vida ou morte - um detalhe com o qual qualquer fã de esporte coletivo identifica à primeira vista. Assim, não é preciso entender as regras do rúgbi, muito menos gostar do esporte, para acompanhar a história e envolver-se com a enorme batalha protagonizada por Mandela, fora do campo, e Pienaar, dentro dele.

Ao explorar as tensões de um país desigual e dividido social, cultural e racialmente, colocando em primeiro plano o esforço de um líder conciliador e visionário, "Invictus" cria paralelos com diversas outras situações e países, em vários momentos da História.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Documentário: O homem que engarrafava nuvens (ou "Em nome do pai")



"O homem que engarrafava nuvens" é anunciado como um documentário de Lirio Ferreira sobre o advogado e compositor Humberto Teixeira, autor de mais de 400 canções - dentre elas "Asa Branca" e inúmeros sucessos imortalizados na voz do parceiro Luiz Gonzaga.

De fato, o filme presta um merecido tributo à memória de Teixeira, ofuscada pela força de Gonzagão, que catalizou todas as glórias resultantes da exitosa parceria. Mas mais do que isso,o documentário é um cortante ajuste de contas da filha de Teixeira, a atriz Denise Dummont, com o pai.

Musa dos anos 80, Denise - também produtora do filme - é o fio condutor do documentário. Revirando arquivos e entrevistando personagens que acompanharam o apogeu de Teixeira, Denise procura assegurar que o pai saia das sombras, sendo colocado no mesmo patamar do "Rei do Baião". Ao mesmo tempo em que demonstra orgulho, a atriz tenta conhecer o homem que a criou após sua mãe ter pedido a separação e partido para os Estados Unidos ao lado de um novo amor.

O olhar de Denise é o grande diferencial do documentário de Lirio Ferreira, que consegue fugir do modelo convencional em que o protagonista é idealizado e suas imperfeições são empurradas para debaixo do tapete.


No "Zoom", da TV Cultura, Denise (que adotou o sobrenome Dummont quando o pai a proibiu de utilizar o sobrenome da família se seguisse a carreira artística) fala sobre o documentário.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Criador e criatura gozam da nossa cara



Enquanto a população - sobretudo da periferia - se sacode para sobreviver às enchentes diárias, Gilberto do Demo e seu criador, o tucano José, apostam todas as suas fichas na propaganda.

Plano de emergência não há. Verba para abrigar as milhares de pessoas que perderam o pouco que tinham, também não há. Mas as emissoras de rádio e tv repetem exaustivamente as propagandas de demos e tucanos, que tentam convencer os incautos de que São Paulo é o paraíso e que estamos todos bem.

Gilberto do demo tem levado vaias aqui e ali. O tucano José tem se abrigado nas sombras - o que é compatível com sua natureza vampiresca. Adoraria que algum "desequilibrado" quebrasse a cara dos dois com uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes - o Berlusconi pensará duas vezes antes de debochar do eleitorado italiano.

Como tais "desequilibrados" parecem não fazer parte da fauna de Pindorama, que tal se o Ministério Público ou quem de direito acabasse com o deboche da dupla dinâmica e barrasse a veiculação das ofensivas propagandas?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os diferentões



No início dos anos 80 Eduardo Suplicy chegou ao horário político com uma tartaruguinha e uma ampulheta. Pretendia mostrar, como entoava o jingle de sua campanha, que era "diferente de tudo que está aí".

No caso do senador, o objetivo foi cumprido. Três décadas depois, ninguém -situacionista ou oposicionista - duvida que Suplicy é mesmo diferentão. Muitos chegam a dizer que comprariam um carro usado do senador, visto como uma espécie de "café com leite" no tão nefasto cenário político.

Muitos tentaram trilhar o mesmo caminho. A grande maioria utiliza os poucos minutos do horário político para tentar emplacar um bordão engraçadinho e passar uma mensagem muito objetiva: basta das velhas raposas! Vote em mim se quiser renovar o jeito de fazer política no Brasil.

Dentre os chamados "renovadores", há dois grandes grupos: os debochados, que esperam conquistar o chamado "voto de protesto", e os que se levam a sério. Sobre a primeira categoria nem vale a pena falar. Já a segunda, abriga de tempos em tempos figuras no mínimo intrigantes.

Os "renovadores que se levam a sério" costumam se achar realmente diferentões. Não se enquadram nos padrões sociais vigentes, são transgressores, criaturas a frente do seu tempo. São mais sensíveis, mais engajados. E são honestos, acima de qualquer suspeita. Entraram na política por simples abnegação.

Dentre eles, destacam-se Fernando Gabeira e Soninha Francine. Ambos são jornalistas e envergam a bandeira do momento: salvemos o planeta! Gabeira está na estrada há bastante tempo. Foi militante de esquerda e até há bem pouco tempo parecia não ter grandes pretensões políticas, exercendo dignamente vários mandatos como deputado. Soninha trocou há alguns anos as páginas de esportes de um jornalão e a MTV pela vereança na desvairada.

Mas ambos andam cada vez menos diferentões. Gabeira tentou tornar-se alcaide da cidade maravilhosa costurando alianças no mínimo exóticas.Perdeu por muito pouco. Soninha tentou a prefeitura da desvairada e não deu nem para o começo. Mas nenhum dos dois ficou de mãos abanando. Gabeira aprofunda as tenebrosas alianças e está cotadíssimo para abocanhar o Palácio da Guanabara. Soninha aliou-se a Kassab - criatura abominável inventada por Serra - e pendurou-se na subprefeitura da Lapa, onde faz um trabalho digno de seu padrinho, que diz que o caos que assolou São Paulo é de responsabilidade de São Pedro.

Gabeira e Soninha orgulham-se de trocar seus carros por bicicletas - duvido que Soninha tenha conseguido fazer isso nas últimas semanas. Mas o que mais há de diferente nos dois?

Suplicy ganhou de Paulo Francis o cruel apelido de "mogadon", famoso psicotrópico. De fato o nobre senador muitas vezes parece ter descido de uma nave espacial. No governo Lula, tem se calado e feito ouvidos moucos diante de situações que exigiam posicionamentos firmes - acho mesmo que ele deveria ter deixado o PT quando o fizeram Plinío de Arruda Sampaio, Chico de Oliveira e tantos outros.

Mas quando olho para criaturas como Gabeira e Soninha, chego à conclusão que o "mogadon" é o único diferentão que ainda merece respeito.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

São, São Paulo, meu amor - só para lembrar

É o Benedito!


Livro novo do grande Mouzar Benedito saindo do forno: Meneghetti
o gato dos telhados. Na nova obra Mouzar, grande contador de causos, apresenta as peripécias de Gino Amleto Meneghetti, um dos mais encantadores gatunos da desvairada.

Trecho:

Meneghetti era isso: uma lenda, até então viva. Seu nome virou sinônimo de ladrão em boa parte do Brasil. Na minha infância no sul de Minas, por exemplo, eu me lembro que, para xingar alguém de ladrão, chamava-se a pessoa de Meneghetti ou de Sete Dedos. Eram os ladrões mais famosos da história de São Paulo. Os dois chegaram a conviver na prisão, numa das passagens de Meneghetti. Sete Dedos era um mulato bem falante, que tinha mesmo apenas sete dedos. Era famoso também. Mas aqui na Pauliceia, embora Meneghetti e Sete Dedos fossem sinônimos de ladrão, os dois xingamentos tinham sentidos diferentes. Chamar alguém de Sete Dedos equivalia a xingá-lo de ladrão. Mas de Meneghetti era diferente. Era ladrão, mas não um ladrão ruim. Era esperto, humano, adepto da não violência, anarquista, contestador da sociedade capitalista, da burguesia e da aristocracia... Enfim, um herói popular. Um sujeito que fazia com a burguesia o que muita gente tinha vontade de fazer: roubá-la e gozá-la. O mesmo em relação à polícia, que ele provocava pelos jornais. Era uma polícia violenta e extremamente preconceituosa contra imigrantes pobres, como a maioria dos italianos. Meneghetti, enfim, “era isso”, “era aquilo”... Parecia uma figura da literatura, resultado da imaginação de um escritor policial e incorporado ao imaginário popular.

Mais informações

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os pretos, os pobres e as pedras

Estudo publicado em 2005 na revista do MIT deixa claro: as chamadas "catástrofes naturais" afetam muito mais os países pobres. No documento, intitulado "The Death Roll from Natural Disasters: the Role of Income, Geography, and Institutions" (a lista da morte por desastres naturais: o papel da renda, da geografia e das instituições), Matthew Kahn apresenta números impressionantes.

Entre 1980 e 2002 (o arco temporal do estudo), a Índia teve 14 grandes terremotos. Morreram 32.117 pessoas. No mesmo período, os Estados Unidos tiveram 18 grandes terremotos. Morreram 143 pessoas.

Iguais conclusões são extensíveis aos 4.300 desastres naturais do período em análise e às suas 815.077 vítimas. Observando e comparando 73 países (pobres, médios e ricos), a conclusão de Kahn é arrepiante: os grandes desastres naturais distribuem-se equitativamente pelo globo. O que não se distribui equitativamente é o número de mortos: países com um PIB per capita de US$ 2.000 apresentam uma média de 944 mortos por ano. Países com um PIB per capita de US$ 14 mil, uma média de 180 mortes.

Moral da história? Se uma nação de 100 milhões de pessoas consegue subir o seu PIB de US$ 2.000 para US$ 14 mil, isso resulta numa diminuição de 764 vítimas por ano.

No Haiti, um terremoto com 7,1 graus na escala Richter trouxe devastação inimaginável e dezenas de milhares de mortos. Em 1989, um terremoto com 7,1 graus na escala Richter provocou 67 vítimas nos EUA. Nenhum espanto: os EUA não têm um PIB per capita de US$ 1.400 e não foram governados por "Papa Docs", "Baby Docs" e outros torcionários para quem o destino do seu povo era indiferente desde que a rapina pudesse continuar.

Fonte

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A Record pooooooooooooooooode, PHA?


De modo geral, eu, o Paulo Henrique Amorim, o Azenha e o Rodrigo Vianna não toleramos os mesmos canalhas. É fácil detestar Daniel Dantas, Serra, Gilmar Mendes e outros tantos cagalhões da República de Pindorama. Também não gosto da hegemonia da Rede Globo e da atuação tendenciosa e imbecilizante da emissora.

Mas calma lá. Em que a Record é melhor? Como podem enxergá-la como alternativa à supremacia dos Marinho?

A emissora que mais cresce no país foi comprada por um estelionatário que, às custas da ignorância de milhões, enche sacos de dinheiro - livre de impostos - que engordam seu patrimônio pessoal e alavancam o crescimento estratosférico de seu império de comunicação.

E o "bispo" da Record não é o único. Há dezenas deles, que ao contrário de seus antecessores, que durante séculos venderam lotes no céu, cativam os fiéis com a promessa de prosperidade real e imediata. Dinheiro e poder. Carro novo e casa bacana. Como diz a "bispa" Sônia, "Jesus é quentinho" e quer ver você se dar bem aqui e agora. Já que não dá para garantir a vida eterna, vamos gozar agora mesmo!

Não dá para concorrer com esse tipo de 171. Se nas últimas décadas fomos reféns das velhas raposas, dos coronéis de Dias Gomes, agora estamos à mercê dos profetas do "edonismo em nome de Jesus".

A Globo é um dos cânceres do país - que saudade do velho Briza! Mas no seu período mais sombrio, PHA trabalhou lá. Azenha trabalhou lá. Rodrigo também. PHA vive dizendo que o jogo é assim mesmo: enquanto você trabalha em um lugar, tem de seguir as regras. Mas depois que sai, pode - e deve - mostrar a podridão de seus bastidores. O que é isso, companheiro?

De fato é enriquecedor conhecer os podres que imaginamos existir narrados por quem conheceu a coisa no dia a dia. O que não dá é para ouvir os podres da Globo contados por alguém que recobre com o manto da invisibilidade os podres tão ou mais aberrantes de seu novo empregador. Paulo Henrique, que como eu não gosta do Gilmar, do Dantas e do Serra, "entrevistou" e ajudou a escrever a biografia do "bispo" Macedo! Paulo Henrique, Rodrigo, Azenha e tantos outros, emprestam sua credibilidade para o projeto nefasto do "bispo" da IURD.

Chega do monopólio da Globo, mas não sejamos hipócritas. E fiquemos de olhos bem abertos: Deus está morto, mas o poder dos que se beneficiam em seu nome é incalculável.

José, o çábio ex-ministro da saúde



E lula é que vive sendo chamado de analfabeto. O empedernido josé é mesmo um energúmeno - adjetivo que zé da Móoca adora utilizar para se referir a seus desafetos

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Judeu, homossexual, deficiente físico... e preconceituoso



O CCC (ex-CCC não existe, não é mesmo?) boris casoy, do alto da escala social, mostrou sua verdadeira face para incautos que, como meus pais, o consideram sinônimo de credibilidade. No dia seguinte, tia bóris pediu desculpas, como qualquer canalha faz quando flagrado. Só esqueceu de utilizar seu surrado bordão: isso é uma vergonha!

A estupidez humana é mesmo ilimitada. Como alguém que pertence a tantas minorias (é judeu, homossexual e deficiente físico) consegue ruminar um preconceito tão absurdo?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Intervozes - O direito à comunicação



O que as 11 famílias que dominam os meios de comunicação de Pindorama oferecem a Sirleydes, Waldisneys... e a todos nós. Clonemos o Massimo!

www.intervozes.org.br

domingo, 13 de dezembro de 2009

De Massimo para Berlusconi



Se houvesse mais gente como Massimo Tartaglia, os canalhas colocariam as barbas de molho. Salve, Massimo!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Criacionismo



O diabo criou o homem.
O homem criou deus à sua imagem e semelhança.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

As duas novas reformas agrárias

PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO

REFORMA-SE algo que não está funcionando a contento. Altera-se então a forma de alguma coisa, sem alterar sua substância. Por isso mesmo, uma mesma coisa pode ser reformada várias vezes. Com a estrutura agrária acontece exatamente o mesmo.
Todas as vezes em que ela emperra a realização do projeto de algum grupo social importante, esse grupo propõe uma reforma agrária.
Na época moderna, o motivo principal das reformas agrárias foi a rigidez da estrutura agrária herdada da Idade Média porque impedia o pleno funcionamento do mercado capitalista e das instituições capitalistas no campo. De modo geral, essas reformas agrárias foram distributivistas -promoviam a desapropriação de grandes latifúndios e seu parcelamento em lotes familiares.
Nos anos 50 do século passado foi esse tipo de reforma agrária que entrou na agenda política do país, proposta apresentada pelas demais forças progressistas, racionalizada pela Cepal, sob o argumento do atraso do setor agrícola e dos seus efeitos no processo inflacionário, e incorporada pelos governos que "compraram" a ideia do presidente Kennedy, o qual viu a possibilidade de evitar a propagação da Revolução Cubana num processo moderado de distribuição das terras dos latifúndios latino-americanos.
A proposta de reforma agrária deu ensejo a um intenso debate teórico em torno do problema da terra. O golpe de 1964 encerrou o debate, o qual só foi reaberto 20 anos depois, agora sustentado por novas organizações populares e novos partidos de esquerda. Muitos intelectuais -inclusive os que hoje a renegam- encarregaram-se de justificá-la teoricamente.
Não se tratava mais da reforma de 1964, porque os militares, nos seus 20 anos de governo, haviam realizado a modernização do campo sem distribuição massiva de terra, porém a um preço social e ecológico altíssimo. Tratava-se de corrigir essas distorções. Portanto, tratava-se agora de reforma agrária social, destinada a humanizar o capitalismo agrícola e a preservar o meio ambiente.
Hoje o governo Lula praticamente enterrou esse tipo de reforma agrária. Por isso os movimentos populares foram levados a radicalizar sua pressão sobre a terra. Além das ocupações, promoveram marchas, fechamento de estradas, danificação de pedágios e, ultimamente, danificação de instalações e plantações de propriedade de grandes agronegócios. Em uma sociedade anestesiada, incapaz de sensibilizar-se por argumentos racionais, que se move unicamente pressionada por gestos ostensivos, tais atitudes se justificam pelo estado de necessidade, pois não há outra forma de chamar a atenção para o descaso criminoso do governo com a população rural.
Qual a leitura a ser feita então a respeito de fatos como a derrubada de laranjais da fazenda Cutrale; a danificação das mudas de transgênicos na Syngenta; a ocupação dos latifúndios do banqueiro Dantas no Pará?
Esses e outros gestos publicitários visam bloquear um processo de reforma agrária atualmente em plena marcha e, ao mesmo tempo, propor um projeto alternativo de reforma. O processo de reforma a ser bloqueado está sendo executado aceleradamente.
Origina-se na contrarrevolução neoliberal dos anos 90 e na nova divisão internacional do trabalho que dela decorreu.
Essa nova divisão alterou o lugar da economia brasileira no mercado capitalista internacional e isto está a exigir a transformação rápida da sua atual estrutura agrária, a fim de que os grandes agronegócios internacionais montem uma formidável economia exportadora de quatro produtos altamente demandados pelas economias que lideram a nova fase do capitalismo -soja, álcool de cana de açúcar, carne e madeiras.
O grande capital internacional assumiu por conta própria a realização dessa reforma e a está implementando, mediante a compra de terras e de empresas agrícolas, de que é exemplo a compra da Usina Santa Elisa pelo grupo Dreiffyus.
Por ação e por omissão, o governo Lula apoia entusiasticamente essa nova reforma agrária. Por omissão, quando paralisa o raquítico programa de assentamentos da "reforma agrária social"; por ação: quando edita leis que permitem legalizar 67 milhões de hectares de terras griladas na Amazônia, a fim de que os grileiros (convertidos em proprietários legais) as vendam aos grandes agronegócios para produção de soja e para criação de gado nessas terras; quando realiza pesados investimentos na transposição das águas do rio São Francisco, a fim de criar uma economia exportadora de frutas tropicais, comandada pelos grandes agronegócios e destinada a países do hemisfério norte; quando prorroga a entrada em vigor de leis que protegem as florestas.
Requisito indispensável para o êxito dessa reforma agrária dos ricos é calar os movimentos sociais do campo, especialmente aquele que, aqui e no exterior, simboliza a luta da população pobre pela terra: o MST. O capital transnacional não vai aonde pode correr riscos.
O serviço que os intelectuais hoje dedicados a desmoralizar o MST prestam a essa nova reforma agrária consiste em fornecer argumentos pseudamente racionais para justificar a criminalização desse movimento.
A outra reforma agrária -a dos movimentos autênticos do campo e das forças sociais progressistas- visa contrarrestar a reforma concentradora dos agronegócios e atender às necessidades de 6 milhões de famílias pobres do campo. Trata-se de consolidar a agricultura familiar -que responde tanto pela maior porcentagem da produção de alimentos quanto da oferta de empregos no campo e de desapropriar todos os imóveis de tamanho superior a 1.000 hectares, a fim de redistribuir essas terras à população rural sem terra.
O MST e a CPT (órgão da CNBB) levantaram essa bandeira, cabendo às forças progressistas que ainda restam na nação empunhá-la e levá-la adiante.
A estrutura agrária que se formará nesse processo criará a base material requerida para viabilizar um rigoroso processo de zoneamento agroecológico da produção e um programa de descentralização do abastecimento alimentar da população. A prioridade que deverá ser dada a esses objetivos não é incompatível com o aproveitamento da demanda externa pelas "commodities" agrícolas porque o país possui uma enorme quantidade de terras.
Os desertores da reforma agrária, que hoje se ocupam de intrigar a opinião pública contra o MST, não conseguem separar o fato social do movimento político: o MST é um movimento político socialista que, diante do fato social representado pelo conflito fundiário, organiza a luta de uma das partes do conflito -a população rural sem terra- do mesmíssimo modo que a CNA; a bancada ruralista; os partidos da direita; a grande mídia (com matérias escandalosamente facciosas); e os intelectuais a serviço desses interesses organizam a luta da outra parte no conflito: o agronegócio.
Para que o debate sobre as duas reformas agrárias seja racional, é preciso pôr de lado a impostura da imparcialidade.
Este analista toma partido -está do lado dos sem-terra- e é deste ponto de vista que interpreta racionalmente a realidade do campo. Quem diz não estar de lado nenhum, mas do lado do Brasil, não está dizendo a verdade: o Brasil não tem lado no conflito agrário, porque é impossível realizar uma reforma que atenda ao mesmo tempo quem quer a concentração e quem quer a desconcentração da propriedade rural.
Contudo há uma crítica a ser feita à ocupação da fazenda da Cutrale. Segundo a empresa, os ocupantes destruíram 7.000 pés de laranja. Erraram: deviam ter destruído 70 mil (o que nem seria muito notado numa fazenda de 1 milhão de pés) a fim de chamar mais a atenção para o fato de que essa fazenda ocupa ilegalmente terras públicas com a conivência do Poder Judiciário.
Muito mais do que 70 mil são as vidas de crianças estão sendo destruídas pelo desemprego agrícola; pelos salários escandalosamente baixos dos trabalhadores rurais; pela precariedade das habitações rurais -fonte de doenças que destroem vidas.
O MST está certíssimo na sua tática de luta. Só lhe falta proclamar com maior vigor e clareza a cumplicidade de Lula na reforma agrária do agronegócio e cobrar mais apoio dos partidos de esquerda, das igrejas, da universidade, dos ecologistas (que precisam sair de cima do muro e assumir a luta camponesa), bem como exigir do Poder Judiciário e do Ministério Público, cujos juízes e promotores permitem o protelamento indefinido ações de desapropriação e não fiscalizam as violências policiais cometidas contra os lavradores nas reintegrações de posse, o cumprimento de suas obrigações.
O MST deve cobrar: a população rural é credora e não devedora.

PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO, 79, é presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária) e ex-consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). Foi deputado federal constituinte pelo PT-SP e candidato a governador de São Paulo pelo mesmo partido em 1990. Em 2005, filiou-se ao PSOL, partido pelo qual concorreu ao governo de São Paulo em 2006.


Mais sobre a reforma agrária: Stedile no "É Notícia"

Tiros na Broadway

Mario encontrou refúgio na ficção.
Vida é sonho.
Seu personagem disse: atire!
A realidade fez quatro disparos.
As cortinas se fecharam.
Hoje não há espetáculo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Só por hoje



Paulo Freire (1921 - 1997)

Hoje resolvi fazer um esforço danado para imaginar que podemos passar desta para melhor. Ao chegar, perguntaria pela mesa onde o Paulo Freire e o Darcy Ribeiro estariam a papear. Só por hoje.