sexta-feira, 12 de março de 2010

Eike, mas podem chamar de fenômemo

Na época de Luma ele já dizia: eu boto mesmo é pra foder!

O meteoro Eike Batista emplacou mais uma façanha. Depois de comer a Luma de Oliveira repetidas vezes, o midas tupiniquim passou, em apenas um ano, de 61o. para 8o. homosapiens mais rico do mundo. A fortuna de "Aique" - parece que é assim que se pronuncia o nome do empresário - é de US$ 27 bilhões (maior que o PIB do Paraguai).

Os 10 mais ricos do Planeta são:

1- Carlos Slim (mexicano) - US$ 53,3 bi
2- Bill Gates (americano) - US$ 53 bi (empate técnico, não?)
3- Warren Buffett (americano definido como megainvestidor) - US$ 47 bi
4- Mukesh Ambani (indiano do ramo do petróleo) - US$ 29 bi
5- Lakshmi Mittal (indiano dono da siderúrgica AcelorMittal) - US$ 28,7 bi
6- Larry Ellison (americano CEO da Oracle) - US$ 28 bi
7- Bernard Arnault (francês dono da LVMH, que possui, entre outras, a Luis Vuitton e a Christian Dior - US$ 27,5 bi
8- Ééééééééééé do BRASIIIIIIIIIIIIIIL!
9- Amancio Ortega (espanhol do ramo do varejo)- US$ 25 bi
10- Karl Albretch (alemão dono de uma rede de supermercados)

Quem é Eike Batista:

- atua em várias áreas, com destaque para o setores de mineração e petróleo;
- por uma dessas coincidências da vida, é filho do empresário Eliezer Batista, ministro das Minas e Energia no Governo João Goulart e, ao longo de boa parte da ditadura militar, presidente da Companhia Vale do Rio Doce, então uma empresa estatal;
- é classificado, de acordo com o gosto do freguês, como: aventureiro, agressivo, brilhante, ousado, exibicionista, megalomaníaco e visionário.
- Eike desembolsa considerável quantia em doações para candidatos e partidos políticos, de vários estados. Nas eleições de 2006, contribuiu com 4,5 milhões de reais. É o maior doador pessoa física para a campanha de reeleição do presidente Luís Inácio Lula da Silva, com um milhão de reais.

Perfil completo do visionário

quarta-feira, 10 de março de 2010

Fiesp é presidida por um socialista



Há muito tempo os partidos políticos deixaram de ter diferenças ideológicas. Apesar da profusão de siglas, a política brasileira resume-se a um grande PMDB. Comunistas, socialistas, verdes, democratas-cristãos, demos do demo, enfim, todos bravateiam diante dos holofotes, mas buscam apenas uma lugar ao sol no nefasto jogo político.

Desde que Sarney, da Arena, tornou-se o primeiro presidente pós-ditadura, pouca coisa me causou estranhamento. Porém, confesso que achei exótica a filiação do presidente da Fiesp ao PSB - Partido Socialista Brasileiro. Seria o presidente da Fiesp um socialista?

Parece que sim. Ao se filiar ao PSB, Paulo Skaf declarou que "escolheu o partido com quem se identifica. Gosta muito da [Luiza] Erundina, é amigo do Eduardo [Campos] e do Ciro [Gomes]..."(a boa e velha Erunda declarou que não se sente à vontade para dividir o palanque com o presidente da Fiesp).

Ao longo da vida, alguns amigos socialistas viraram liberais. Um deles, inclusive, declarou-se recentemente simpatico à monarquia. Tudo bem, Lula já disse que só os idiotas - como eu - continuam "de esquerda" depois de velhos. Mas um presidente da Fiesp viraria socialista? Intrigado, resolvi recorrer ao Aurélio:

Socialista: referente ao ou que é partidário do socialismo.

Socialismo: conjunto de doutrinas que se propõem promover o bem comum pela transformação da sociedade e das relações entre as classes sociais, mediante a alteração do regime de propriedade.


Fiquei mais confuso. Mortificado pela culpa, teria Paulo Skaf resolvido ajustar as contas com sua consciência? Levantaria da sua cadeira na avenida Paulista para conclamar as massas a invadir as fábricas e acabar com a exploração do homem pelo homem?

Não me parecia o caso. Porém, ainda intrigado, resolvi dar uma olhada no site do PSB. O que teria causado a "identificação" de Skaf com o partido? No tópico "quem somos", encontrei as seguintes informações:

Princípios:

IV – O Partido tem como patrimônio inalienável da humanidade as conquistas democrático-liberais, mas as considera insuficientes como forma política, para se chegar à eliminação de um regime econômico de exploração do homem pelo homem.

VII – O objetivo do Partido, no terreno econômico é a transformação da estrutura da sociedade, incluída a gradual e progressiva socialização dos meios de produção, que procurará realizar na medida em que as condições do País a exigirem.

X – O Partido admite a possibilidade de realizar algumas de suas reivindicações em regime capitalista, mas afirma sua convicção de que a solução definitiva dos problemas sociais e econômicos, mormente os de suma importância, como a democratização da cultura e a saúde pública, só será possível mediante a execução integral do seu programa.

Programa:

Classes Sociais – O estabelecimento de um regime socialista acarretará a abolição do antagonismo de classe.

Socialização – O Partido não considera socialização dos meio de produção e distribuição a simples intervenção de Estado na economia e entende que aquela só deverá ser decretada pelo voto do parlamento democraticamente constituído e executada pelos órgãos administrativos eleitos em cada empresa.

Da Propriedade em Geral – A socialização realizar-se-á gradativamente, até a transferência, ao domínio social, de todos os bens passíveis de criar riquezas, mantida a propriedade privada nos limites da possibilidade de sua utilização pessoal, sem prejuízo do interesse coletivo.

Da Terra- A socialização progressiva será realizada segundo a importância demográfica e econômica das regiões e a natureza de exploração rural, organizando-se fazendas nacionais e fazendas cooperativas, assistidas estas, material e tecnicamente, pelo Estado. O problema do latifúndio será resolvido por este sistema de grandes explorações, pois assim sua fragmentação trará obstáculos ao progresso social. Entretanto, dada a diversidade do desenvolvimento econômico das diferentes regiões, será facultado o parcelamento das terras da Nação em pequenas porções de usufruto individual o­nde não for viável a exploração coletiva.

Da Indústria – Na socialização progressiva dos meios de produção industrial partir-se-á dos ramos básicos da economia.

Do Comércio -A socialização da riqueza compreenderá a nacionalização do crédito, que ficará, assim, a serviço da produção.

Jesus Carlos! Pelo visto eu estava enganado. O homem deve ser o maior socialista desde Salvador Alende. Como não fiz parte da geração que queria mudar o mundo, percebi que não poderia perder tamanha oportunidade. Tomarei quatro providências imediatamente:
1- ligarei para a Velhinha de Taubaté e marcarei um chá das cinco;
2- me filiarei imediatamente ao PSB;
3- ligarei para o Stédile e direi que, a partir de hoje, encontro-me a serviço de outro nobre cavaleiro - que enfrentará a questão agrária com mais galhardia;
4- tal qual Sancho Pança, me colocarei à disposição do grande "Socialista do Século XXI" para que enfrentemos juntos os terríveis moinhos de vento capitalistas.

Companheiros: o mal venceu, mas a luta continua!

terça-feira, 9 de março de 2010

O Demo do Demo


Demóstenes aparenta dificuldade de compreensão ao folhear a principal obra de Gilberto Freire







Demóstenes, o Demo do Demo, estuprou o Gilberto Freire para defender o indefensável ("...o estupro de mulheres negras nas senzalas da Colônia e do Império do Brasil era consensual").

Tenho dúvidas em relação à política de cotas - ate o admirável professor Joel Rufino as tem -, mas acho que precisávamos começar a atacar essa questão tão complexa de alguma forma. Na falta de uma melhor - ou de nenhuma, estou com essa e não abro.

O Demo do Demo é a versão 2010 do Maluf 1989, que sugeriu aos estupradores: "tá bom, tá com vontade sexual? Estupra, mas não mata".

Mais de 20 anos - e milhões de dólares roubados depois, Maluf ainda é deputado federal. Que o Demo do Demo não tenha a mesma sorte.

E sobre a escravidão no Brasil, poucos foram mais precisos que o mestre Darcy Ribeiro, em "O Povo Brasileiro":


[...] Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instilada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria."

"A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista." (1995, p.120)

segunda-feira, 1 de março de 2010

13 mil excluídos perambulam pela desvairada



A cidade de São Paulo tem 13 mil moradores de rua, de acordo com o censo realizado pela Prefeitura administrada por Gilberto do Demo. Levantamento realizado no início da gestão do Demo demonstrou que 1 em cada 6 moradores da maior cidade do país mora em favelas.

Resumo da ópera:

- 13 mil excluídos em uma cidade como São Paulo é um despropósito. Não é possível admitir que a cidade mais "desenvolvida" do país não acolha os mais necessitados.

- Por outro lado, uma cidade que possui um orçamento como o de São Paulo conseguiria resolver o problema dessas pessoas em curto prazo, desde que a questão fosse vista como prioritária.

- Muitas dessas pessoas são vítimas de uma das mais cruéis epidemias contemporâneas, a dependência de crack, uma droga devastadora que transforma seres humanos em verdadeiros zumbis.

- Os moradores de rua são odiados por ricos e pobres.
Os moradores de Higienópolis e Pacaembu, a fina flor da desvarairada, enxergam os seres que perambulam por suas calçadas - depois de terem sido expulsos do centro pela Prefeitura do Demo - como chagas a serem eliminadas, geradores de odor e sujeira.
Os pobres, bombardeados pelo discurso canalha das elites, enxergam os moradores de rua como vagabundos que não lutam por seu "lugar ao sol". São acomodados que querem viver à sombra dos valentes trabalhadores que fazem mover a "locomotiva Brasil".

- A Prefeitura do Demo não sabe - e não se preocupa em saber - o que fazer com a questão, se limitando a contabilizar os desvalidos e empurrá-los de um lado para o outro.

- Pessoas como o padre Júlio Lancellotti têm tentado acolher o que chama de "povo da rua", mas isso não basta. Chegou a hora de encararmos essas pessoas como elas são: criaturas sem perspectiva, que precisam de ajuda incondicional.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

DVD: Loki - Arnaldo Baptista

As pessoas podem ou não sobreviver. A mágoa, dura para sempre.
A maior delas talvez seja não entender porque as pessoas não te entendem.



A cinebiografia de Arnaldo Baptista, fundador dos Mutantes, tem sua narrativa costurada por depoimentos emocionantes do artista, que durante as gravações pinta um quadro emblemático. Embalado por músicas que marcaram época, o filme revela a trajetória de um dos maiores nomes do rock brasileiro.



Trailer do filme

Porviroscópio: "1" cancela anúncios

2029- Pequim
Após comprar o Google,a Microsoft e a Coca Cola, tornando-se a detentora de todas as corporações do mundo, a "1" anunciou a suspensão da publicidade em todos os meios de comunicação.
"Como somos proprietários de todas as empresas, não precisaremos mais de anúncios", disse John Aron Tsung, presidente da "1".

Miriam Leitão não foi encontrada para comentar a notícia.

Singela homenagem a um dos mais fascinantes visionários de Pindorama.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

100 anos de Adoniran



Adoniran, que completaria 100 anos em 2010, por Baptistão.

Adoniran e Elis - 1978

Invictus resgata as utopias



Três motivos para assistir:

- Nelson Mandela é seguramente um dos mais impressionantes personagens contemporâneos. Sua saga contra a segregação racial na África do Sul nos leva a pensar que as utopias ainda têm lugar no mundo dos vencedores.

- Clint Eastwood conseguiu levar às telas um filme tocante, sem truques e afetações - e talvez por isso venha sendo chamado de piegas pela crítica empedernida.

- Não é possível imaginar outro ator no papel de Mandela. Morgan Freeman está impecável.

CRÍTICA DE NEUSA BARBOSA, DO CINEWEB

Quando lançou a autobiografia "Longo Caminho para a Liberdade", nos anos 1990, o líder sul-africano Nelson Mandela foi questionado sobre quem gostaria de ver fazendo o seu papel no cinema. A resposta foi rápida: "Morgan Freeman". Quase 20 anos depois, esse desejo foi atendido.



Tanto Freeman quanto Eastwood pensaram, a princípio, em adaptar a própria autobiografia do líder para o cinema. Mas deram-se conta de que o extenso material renderia um filme ou minissérie de muitas horas.

Eastwood encontrou então o livro "Playing the Enemy", de John Carlin, que focaliza um momento particular na conciliação da África do Sul pós-apartheid: a realização da Copa Mundial de Rúgbi, que o país venceu, contra todos os prognósticos. A vitória serviu como elemento de união nacional.

Em fevereiro de 1990, Mandela (Freeman) acabara de sair da prisão, depois de 27 anos. Quatro anos depois, foi eleito o primeiro presidente negro da história de um país onde, por décadas, a maioria negra não tinha quaisquer direitos políticos, sociais e econômicos. Por conta disso, há uma enorme tensão na África do Sul. Do lado dos negros, devido à ânsia de ocupar seu espaço e, em alguns setores, de buscar vingança. Do lado dos brancos, ainda a elite econômica e cultural da nação, medo e desconfiança, quando não alguma tentativa de boicote ao novo governo.


Mostrando sabedoria política exemplar, Mandela sabe que terá de satisfazer aos dois lados e conquistá-los. Uma oportunidade se apresenta com a Copa Mundial de Rúgbi. Esporte branco por excelência, o rúgbi é desprezado pela maioria negra, que torce ostensivamente por todo e qualquer adversário do time nacional nas competições. Para piorar, a seleção nacional também não apresenta um desempenho dos melhores.

O presidente Mandela enxerga aí uma chance única. Assim, abre uma vaga na sua apertadíssima agenda para receber o capitão do time de rúgbi, François Pienaar (Matt Damon, de "O Desinformante"), o primeiro que ele ganha para a grande causa de vencer a Copa Mundial - uma tarefa que, neste momento, parece simplesmente impossível.

A atitude do presidente confunde não só Pienaar, prestigiado membro da elite branca, como seus próprios colaboradores negros. Nenhum dos lados entende o alcance deste esforço. Alguns consideram simplesmente ridículo que o presidente se ocupe de um assunto esportivo num momento em que o país se debate com um dramático déficit de investimentos, além da precariedade da infraestrutura, dos transportes, da saúde e da educação.

A inteligência cinematográfica de Eastwood, um diretor que vive uma maturidade criativa excepcional, às vésperas de completar 80 anos (em maio), torna atraente todo este esforço, mesmo para plateias que desconheçam o rúgbi e a política sul-africana. Quando se apresentam os jogos, o filme enfatiza o seu aspecto de disputa de vida ou morte - um detalhe com o qual qualquer fã de esporte coletivo identifica à primeira vista. Assim, não é preciso entender as regras do rúgbi, muito menos gostar do esporte, para acompanhar a história e envolver-se com a enorme batalha protagonizada por Mandela, fora do campo, e Pienaar, dentro dele.

Ao explorar as tensões de um país desigual e dividido social, cultural e racialmente, colocando em primeiro plano o esforço de um líder conciliador e visionário, "Invictus" cria paralelos com diversas outras situações e países, em vários momentos da História.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Documentário: O homem que engarrafava nuvens (ou "Em nome do pai")



"O homem que engarrafava nuvens" é anunciado como um documentário de Lirio Ferreira sobre o advogado e compositor Humberto Teixeira, autor de mais de 400 canções - dentre elas "Asa Branca" e inúmeros sucessos imortalizados na voz do parceiro Luiz Gonzaga.

De fato, o filme presta um merecido tributo à memória de Teixeira, ofuscada pela força de Gonzagão, que catalizou todas as glórias resultantes da exitosa parceria. Mas mais do que isso,o documentário é um cortante ajuste de contas da filha de Teixeira, a atriz Denise Dummont, com o pai.

Musa dos anos 80, Denise - também produtora do filme - é o fio condutor do documentário. Revirando arquivos e entrevistando personagens que acompanharam o apogeu de Teixeira, Denise procura assegurar que o pai saia das sombras, sendo colocado no mesmo patamar do "Rei do Baião". Ao mesmo tempo em que demonstra orgulho, a atriz tenta conhecer o homem que a criou após sua mãe ter pedido a separação e partido para os Estados Unidos ao lado de um novo amor.

O olhar de Denise é o grande diferencial do documentário de Lirio Ferreira, que consegue fugir do modelo convencional em que o protagonista é idealizado e suas imperfeições são empurradas para debaixo do tapete.


No "Zoom", da TV Cultura, Denise (que adotou o sobrenome Dummont quando o pai a proibiu de utilizar o sobrenome da família se seguisse a carreira artística) fala sobre o documentário.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Criador e criatura gozam da nossa cara



Enquanto a população - sobretudo da periferia - se sacode para sobreviver às enchentes diárias, Gilberto do Demo e seu criador, o tucano José, apostam todas as suas fichas na propaganda.

Plano de emergência não há. Verba para abrigar as milhares de pessoas que perderam o pouco que tinham, também não há. Mas as emissoras de rádio e tv repetem exaustivamente as propagandas de demos e tucanos, que tentam convencer os incautos de que São Paulo é o paraíso e que estamos todos bem.

Gilberto do demo tem levado vaias aqui e ali. O tucano José tem se abrigado nas sombras - o que é compatível com sua natureza vampiresca. Adoraria que algum "desequilibrado" quebrasse a cara dos dois com uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes - o Berlusconi pensará duas vezes antes de debochar do eleitorado italiano.

Como tais "desequilibrados" parecem não fazer parte da fauna de Pindorama, que tal se o Ministério Público ou quem de direito acabasse com o deboche da dupla dinâmica e barrasse a veiculação das ofensivas propagandas?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os diferentões



No início dos anos 80 Eduardo Suplicy chegou ao horário político com uma tartaruguinha e uma ampulheta. Pretendia mostrar, como entoava o jingle de sua campanha, que era "diferente de tudo que está aí".

No caso do senador, o objetivo foi cumprido. Três décadas depois, ninguém -situacionista ou oposicionista - duvida que Suplicy é mesmo diferentão. Muitos chegam a dizer que comprariam um carro usado do senador, visto como uma espécie de "café com leite" no tão nefasto cenário político.

Muitos tentaram trilhar o mesmo caminho. A grande maioria utiliza os poucos minutos do horário político para tentar emplacar um bordão engraçadinho e passar uma mensagem muito objetiva: basta das velhas raposas! Vote em mim se quiser renovar o jeito de fazer política no Brasil.

Dentre os chamados "renovadores", há dois grandes grupos: os debochados, que esperam conquistar o chamado "voto de protesto", e os que se levam a sério. Sobre a primeira categoria nem vale a pena falar. Já a segunda, abriga de tempos em tempos figuras no mínimo intrigantes.

Os "renovadores que se levam a sério" costumam se achar realmente diferentões. Não se enquadram nos padrões sociais vigentes, são transgressores, criaturas a frente do seu tempo. São mais sensíveis, mais engajados. E são honestos, acima de qualquer suspeita. Entraram na política por simples abnegação.

Dentre eles, destacam-se Fernando Gabeira e Soninha Francine. Ambos são jornalistas e envergam a bandeira do momento: salvemos o planeta! Gabeira está na estrada há bastante tempo. Foi militante de esquerda e até há bem pouco tempo parecia não ter grandes pretensões políticas, exercendo dignamente vários mandatos como deputado. Soninha trocou há alguns anos as páginas de esportes de um jornalão e a MTV pela vereança na desvairada.

Mas ambos andam cada vez menos diferentões. Gabeira tentou tornar-se alcaide da cidade maravilhosa costurando alianças no mínimo exóticas.Perdeu por muito pouco. Soninha tentou a prefeitura da desvairada e não deu nem para o começo. Mas nenhum dos dois ficou de mãos abanando. Gabeira aprofunda as tenebrosas alianças e está cotadíssimo para abocanhar o Palácio da Guanabara. Soninha aliou-se a Kassab - criatura abominável inventada por Serra - e pendurou-se na subprefeitura da Lapa, onde faz um trabalho digno de seu padrinho, que diz que o caos que assolou São Paulo é de responsabilidade de São Pedro.

Gabeira e Soninha orgulham-se de trocar seus carros por bicicletas - duvido que Soninha tenha conseguido fazer isso nas últimas semanas. Mas o que mais há de diferente nos dois?

Suplicy ganhou de Paulo Francis o cruel apelido de "mogadon", famoso psicotrópico. De fato o nobre senador muitas vezes parece ter descido de uma nave espacial. No governo Lula, tem se calado e feito ouvidos moucos diante de situações que exigiam posicionamentos firmes - acho mesmo que ele deveria ter deixado o PT quando o fizeram Plinío de Arruda Sampaio, Chico de Oliveira e tantos outros.

Mas quando olho para criaturas como Gabeira e Soninha, chego à conclusão que o "mogadon" é o único diferentão que ainda merece respeito.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

São, São Paulo, meu amor - só para lembrar

É o Benedito!


Livro novo do grande Mouzar Benedito saindo do forno: Meneghetti
o gato dos telhados. Na nova obra Mouzar, grande contador de causos, apresenta as peripécias de Gino Amleto Meneghetti, um dos mais encantadores gatunos da desvairada.

Trecho:

Meneghetti era isso: uma lenda, até então viva. Seu nome virou sinônimo de ladrão em boa parte do Brasil. Na minha infância no sul de Minas, por exemplo, eu me lembro que, para xingar alguém de ladrão, chamava-se a pessoa de Meneghetti ou de Sete Dedos. Eram os ladrões mais famosos da história de São Paulo. Os dois chegaram a conviver na prisão, numa das passagens de Meneghetti. Sete Dedos era um mulato bem falante, que tinha mesmo apenas sete dedos. Era famoso também. Mas aqui na Pauliceia, embora Meneghetti e Sete Dedos fossem sinônimos de ladrão, os dois xingamentos tinham sentidos diferentes. Chamar alguém de Sete Dedos equivalia a xingá-lo de ladrão. Mas de Meneghetti era diferente. Era ladrão, mas não um ladrão ruim. Era esperto, humano, adepto da não violência, anarquista, contestador da sociedade capitalista, da burguesia e da aristocracia... Enfim, um herói popular. Um sujeito que fazia com a burguesia o que muita gente tinha vontade de fazer: roubá-la e gozá-la. O mesmo em relação à polícia, que ele provocava pelos jornais. Era uma polícia violenta e extremamente preconceituosa contra imigrantes pobres, como a maioria dos italianos. Meneghetti, enfim, “era isso”, “era aquilo”... Parecia uma figura da literatura, resultado da imaginação de um escritor policial e incorporado ao imaginário popular.

Mais informações

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os pretos, os pobres e as pedras

Estudo publicado em 2005 na revista do MIT deixa claro: as chamadas "catástrofes naturais" afetam muito mais os países pobres. No documento, intitulado "The Death Roll from Natural Disasters: the Role of Income, Geography, and Institutions" (a lista da morte por desastres naturais: o papel da renda, da geografia e das instituições), Matthew Kahn apresenta números impressionantes.

Entre 1980 e 2002 (o arco temporal do estudo), a Índia teve 14 grandes terremotos. Morreram 32.117 pessoas. No mesmo período, os Estados Unidos tiveram 18 grandes terremotos. Morreram 143 pessoas.

Iguais conclusões são extensíveis aos 4.300 desastres naturais do período em análise e às suas 815.077 vítimas. Observando e comparando 73 países (pobres, médios e ricos), a conclusão de Kahn é arrepiante: os grandes desastres naturais distribuem-se equitativamente pelo globo. O que não se distribui equitativamente é o número de mortos: países com um PIB per capita de US$ 2.000 apresentam uma média de 944 mortos por ano. Países com um PIB per capita de US$ 14 mil, uma média de 180 mortes.

Moral da história? Se uma nação de 100 milhões de pessoas consegue subir o seu PIB de US$ 2.000 para US$ 14 mil, isso resulta numa diminuição de 764 vítimas por ano.

No Haiti, um terremoto com 7,1 graus na escala Richter trouxe devastação inimaginável e dezenas de milhares de mortos. Em 1989, um terremoto com 7,1 graus na escala Richter provocou 67 vítimas nos EUA. Nenhum espanto: os EUA não têm um PIB per capita de US$ 1.400 e não foram governados por "Papa Docs", "Baby Docs" e outros torcionários para quem o destino do seu povo era indiferente desde que a rapina pudesse continuar.

Fonte

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A Record pooooooooooooooooode, PHA?


De modo geral, eu, o Paulo Henrique Amorim, o Azenha e o Rodrigo Vianna não toleramos os mesmos canalhas. É fácil detestar Daniel Dantas, Serra, Gilmar Mendes e outros tantos cagalhões da República de Pindorama. Também não gosto da hegemonia da Rede Globo e da atuação tendenciosa e imbecilizante da emissora.

Mas calma lá. Em que a Record é melhor? Como podem enxergá-la como alternativa à supremacia dos Marinho?

A emissora que mais cresce no país foi comprada por um estelionatário que, às custas da ignorância de milhões, enche sacos de dinheiro - livre de impostos - que engordam seu patrimônio pessoal e alavancam o crescimento estratosférico de seu império de comunicação.

E o "bispo" da Record não é o único. Há dezenas deles, que ao contrário de seus antecessores, que durante séculos venderam lotes no céu, cativam os fiéis com a promessa de prosperidade real e imediata. Dinheiro e poder. Carro novo e casa bacana. Como diz a "bispa" Sônia, "Jesus é quentinho" e quer ver você se dar bem aqui e agora. Já que não dá para garantir a vida eterna, vamos gozar agora mesmo!

Não dá para concorrer com esse tipo de 171. Se nas últimas décadas fomos reféns das velhas raposas, dos coronéis de Dias Gomes, agora estamos à mercê dos profetas do "edonismo em nome de Jesus".

A Globo é um dos cânceres do país - que saudade do velho Briza! Mas no seu período mais sombrio, PHA trabalhou lá. Azenha trabalhou lá. Rodrigo também. PHA vive dizendo que o jogo é assim mesmo: enquanto você trabalha em um lugar, tem de seguir as regras. Mas depois que sai, pode - e deve - mostrar a podridão de seus bastidores. O que é isso, companheiro?

De fato é enriquecedor conhecer os podres que imaginamos existir narrados por quem conheceu a coisa no dia a dia. O que não dá é para ouvir os podres da Globo contados por alguém que recobre com o manto da invisibilidade os podres tão ou mais aberrantes de seu novo empregador. Paulo Henrique, que como eu não gosta do Gilmar, do Dantas e do Serra, "entrevistou" e ajudou a escrever a biografia do "bispo" Macedo! Paulo Henrique, Rodrigo, Azenha e tantos outros, emprestam sua credibilidade para o projeto nefasto do "bispo" da IURD.

Chega do monopólio da Globo, mas não sejamos hipócritas. E fiquemos de olhos bem abertos: Deus está morto, mas o poder dos que se beneficiam em seu nome é incalculável.

José, o çábio ex-ministro da saúde



E lula é que vive sendo chamado de analfabeto. O empedernido josé é mesmo um energúmeno - adjetivo que zé da Móoca adora utilizar para se referir a seus desafetos

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Judeu, homossexual, deficiente físico... e preconceituoso



O CCC (ex-CCC não existe, não é mesmo?) boris casoy, do alto da escala social, mostrou sua verdadeira face para incautos que, como meus pais, o consideram sinônimo de credibilidade. No dia seguinte, tia bóris pediu desculpas, como qualquer canalha faz quando flagrado. Só esqueceu de utilizar seu surrado bordão: isso é uma vergonha!

A estupidez humana é mesmo ilimitada. Como alguém que pertence a tantas minorias (é judeu, homossexual e deficiente físico) consegue ruminar um preconceito tão absurdo?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Intervozes - O direito à comunicação



O que as 11 famílias que dominam os meios de comunicação de Pindorama oferecem a Sirleydes, Waldisneys... e a todos nós. Clonemos o Massimo!

www.intervozes.org.br

domingo, 13 de dezembro de 2009

De Massimo para Berlusconi



Se houvesse mais gente como Massimo Tartaglia, os canalhas colocariam as barbas de molho. Salve, Massimo!